CONCEITOS E VALORES
“Eu sou o Senhor; este é o meu nome a minha glória, pois a outrem não
darei, nem o meu louvor à imagens de escultura”
Isaias 42 :8
Para os evangélicos o conceito de “idolatra” se aplica literalmente às
práticas do catolicismo nas suas relações de fé quando adotam imagens para se
interporem nas formas de culto e de relacionarem com Deus. É exatamente assim,
os “crentes” pensam exatamente desta forma e relacionam diretamente uma
coisa com a outra sem darem conta de que o fato é muito mais abrangente do que
imaginam.
Mas, e você se considera um “idolatra”? Com certeza absoluta sua
resposta será não. Eu! Idolatra? Imagina, não confunda as coisas. Mas, você tem
a “plena convicção” que não é um idolatra? Provavelmente a sua resposta possa
ser sim, mas continuo a insistir, o que você define por “idolatria”? Espero que
depois do que vou tratar aqui você possa chegar a uma conclusão: “Preciso mudar
meus atos diante de Deus”.
“Segundo a graça de Deus que me foi dada, pus eu, como sábio arquiteto,
o fundamento, e outro edifica sobre ele; mas veja cada um como edifica sobre
ele. Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual
é Jesus Cristo...” - I Coríntios 3:10 e 11.
Para a maioria dos evangélicos e isto vem de longe, “idolatria” reside
apenas o fato de pessoas “adorarem imagens de escultura” feitas por mãos
humanas, motivo esse que sempre foi o principal ponto de divergências com o
catolicismo. No entanto, diante dos absurdos que temos visto dentro das igrejas
evangélicas, podemos sem nenhum constrangimento ou medo de cometer heresia,
questionar até que ponto a “IDOLATRIA”, ainda que praticada de forma diferente,
têm sido uma realidade assustadora entre nós. Durante séculos os cristãos
“evangélicos” têm vivido na defensiva imputando aos outros segmentos religiosos
a prática da “idolatria”, isto porque estes grupos inseriram em suas práticas e
rituais de culto o uso direto e obrigatório de imagens de escultura. Assim,
objetivamente os crentes classificam as pessoas que prestam culto através de um
objeto qualquer como “idolatra”, o que não é errado, mas também não é o a única
forma de se desviar do verdadeiro sentido de “cultuar a Deus”.
Para fugirem da sentença de condenação eterna e divina imposta pela
santa “lei de Deus”, a Igreja Católica serve-se de “sutilezas teológicas”
a fim de ludibriar os fiéis. Dizem e vivem a repetir os fâmulos católicos que
os protestantes não levam em consideração a diferença entre “venerar” e
“adorar”, argumentam ainda que o culto de adoração é prestado somente a Deus,
mas que prestam um culto de veneração às imagens, às relíquias aos santos e a
Virgem Maria. Dizem: “O católico venera os santos, não as imagens, mas o que
elas representam, assim como sentimos amor por uma pessoa querida ao ver a sua
foto. Veja que neste exemplo não sentimos amor pela foto, mas pela pessoa que
nela está representada”.
De fato, para o catolicismo "a honra prestada a uma imagem se
dirige ao modelo original", e quem venera uma imagem venera a pessoa que
nela está esculpida ou pintada. A honra prestada às santas imagens, dizem, é
uma "veneração respeitosa", e não uma “adoração”, que só compete a
Deus. Como dizia John Wycliff e Savanarola, este último cuja voz de protesto
foi sufocada pelas “fogueiras inquisitoriais”: “Eles adoram, com efeito, no
sentido próprio da palavra, as imagens, pelas quais sentem uma afeição
especial” - A Imagem Proibida pág. 280
Frei Basílio Rower, em seu “Dicionário Litúrgico” na pág. 15 sobre o
verbete: “Adoração da Cruz”, comenta: “A ADORAÇÃO DOS SANTOS E DE SUAS
RELÍQUIAS E IMAGENS CHAMA-SE GERALMENTE VENERAÇÃO.” (ênfase do autor)
Bastaria uma consulta a de nossos dicionários para desmascararmos esta
suposta diferença, esta distorção dos fatos, pois venerar e adorar são “sinônimos”
sendo que venerar é palavra “latina” e adorar é palavra “grega” tendo o mesmo
significado. Sendo assim, o dicionário coloca acertadamente “adorar” no
mesmo patamar de “venerar”. Mas os católicos insistem em fazer vistas
grossas a este fato e saem pela tangente com o argumento de que adorar e
venerar pelo dicionário da língua portuguesa, nos dias atuais, não têm qualquer
diferença. Mas, não se esqueça de que a nossa fé tem mais tempo do que a
história de Portugal e Brasil. Na literatura católica, por “conveniência” e
apenas por ela, há distinção entre adorar - latria - e venerar - dulia - mas,
como eles mesmos admitem e qualquer católico poderá conferir, “adorar” é o
mesmo que “venerar” e isto é uma pedra de tropeço para a teologia católica.
O problema fundamental é que ninguém em pleno século XXI vai “admitir”
que adora uma imagem. É algo repugnante à moderna mente tecnológica de nosso
século. Acontece que entre a teoria e a prática, há, no entanto, um grande abismo.
E é este abismo que tem levado muitas pessoas ao engano e a se posicionarem
numa estratégia de defesa argumentando que no culto que prestam a “idolatria”
está excluída e que vivem em função de adorarem somente a Deus.
O que seria “idolatria”? Apenas o fato de alguém adorar a imagens?
Obviamente que não! Ela não se resume a tão pouca coisa, IDOLATRIA é tudo aquilo que “substitui”
a Pessoa de Jesus Cristo na vida de uma pessoa. A referência Bíblica
apresentada por Paulo nos ensina que ninguém pode lançar outro fundamento além
do que já foi posto, que é Cristo. Quando passamos a lançar outros fundamentos
que não seja Jesus, logo estamos tentando substituí-lo e por isso nos tornamos
IDÓLATRAS.
As igrejas evangélicas não possuem imagens de “santos” nem de outros
deuses o que é natural, mas praticam a idolatria devido a tantos outros
“fundamentos” que se têm lançado. Por esta razão Paulo faz um alerta: “Mas temo
que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também
sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da
simplicidade que há em Cristo” - II Coríntios 11:3. E como nós evangélicos
temos nos afastado da simplicidade que há em Cristo! Como temos idolatrado
tanta coisa com a maior naturalidade. Via de regra ouve-se um irmão de fé
afirmando categoricamente: ”Eu adoro isto”! Viva o chocolate!
Como se tem lançado neste tempo tantos outros fundamentos fora de Cristo
e por isso, muitos de nós tem se tornado “idólatra” na concepção da palavra. É
fácil constatar isso mediante os “falsos ensinos” e “heresias” que estão se
alastrando como praga no meu evangélico. Prega-se por ai tantas “abobrinhas”,
valendo-se de passagens Bíblicas fora de contexto e interpretações equivocadas.
Até parece que o sacrifício de Jesus Cristo na cruz não tem mais valor, pois
damos mais espaço para outras formas de “redenção” e “justificação”. São muito
hereges induzido o povo a confessar os seus pecados cometidos desde a infância,
mas aonde entra a nossa total redenção conquistada lá na Cruz? E o que dizer do
perdão e da vida nova em Cristo? Deixaram de existir ou perderam o seu valor?
Segura o “shofar”, lembra-te do sábado, olha o jejum de quarenta dias, não
quebre a corrente e vai por ai! Heresias, tudo heresias...
Enquanto a Palavra de Deus nos revela as suas maravilhas através de
Jesus, muitos, mal orientados ou por interesses duvidosos, preferem os rituais
e as técnicas e tantos outros fundamentos fora do Salvador. Como se fosse
pouco, a barbaridade religiosa transvestida de cristianismo, tenta anular a
graça lançando outro fundamento, muitos corrompem o Evangelho e acentuam a
ganância do homem institucionalizando a “cobiça” como uma prática comum. A
teologia da prosperidade tem colocado dentro das igrejas um altar para o “deus
da riqueza”, Mamom. Toda sorte de “barganhas” e “negociações” têm sido
ensinadas aos cristãos, inclusive atribuindo o tamanho da “bênção de Deus” aos
bens materiais que se possui, como se nossa herança não fosse eterna.
Dessa forma, como podemos chamar de “idólatras” aqueles que se curvam
diante de esculturas, se nós temos as nossas próprias “idolatrias”
personalizadas ao melhor estilo gospel?
Carlos Roberto Martins de Souza
http://arminiano.blogspot.com